Nossas amadas mídias, que divertem e oferecem conteúdo que vai além do prazer de degustar aquela perfumadíssima shisha na companhia dos seus confrades, ajudam ou atrapalham na difusão da informação acerca do mundo do arguile?

Muita calma, meu jovem padawan. Chegaremos lá na mesma tranquilidade e sapiência com as quais se prepara um belo rosh. Antes, precisamos de um breve background:

Há muito tempo atrás, surgiu da cabeça de um rapazinho chamado Raphael Barreiros a ideia de compartilhar suas experiências com o arguile para os que tivessem interesse em conhecer mais sobre a cultura e ter o que pudesse ser encontrado de melhor à época. Ali nasceu o Blog Do Arguile, que tem desde sua criação o objetivo não só de informar, mas também de divertir os apreciadores e de proporcionar a união e amizade por meio desse milenar instrumento social.

Surgem depois do Blog outras fontes de conteúdo por diversos meios. Por exemplo: podcasts, o ArguileCast, uma infinidade de canais no YouTube, a nossa querida HBE em formato impresso e a utilização das mídias sociais por marcas e conoisseurs que visam maior notoriedade e exposição ao que podem oferecer.

O grande problema? Ei-lo, meu dedicado aprendiz: todas as mídias com as quais trabalhamos para te trazer a mais completa informação e o que tem de mais novo no mundo do arguile restringem a distribuição de nossos conteúdos por inúmeros fatores. O fato de estarem relacionados ao tabaco é o mais crucial de todos. Ou seja, somos proibidos de alcançar grande parcela do público arguileiro por fazermos uma suposta promoção ao consumo de tabaco.

E, assim… não é bem por aí!

A maioria dos meios de comunicação que tratam do arguile com seriedade buscam informar ao fumeta os melhores caminhos para reproduzir uma sessão de qualidade. Quantos tutoriais relacionados a arguile não existem hoje por aí? Quantas vezes você já não nos viu falando para evitar carvões de pólvora? Ou até mesmo implorando pra que vocês não coloquem bebidas alcoólicas na base?
Isso porque tratamos sempre da redução de danos no consumo do seu rosh! É claro que o tabaco faz mal à saúde, mas o princípio de criação do arguile já parte da premissa de tornar a fumaça inalada mais fria do que a do tabaco que entra em combustão, como no caso de cigarros e cachimbos. Não só possuímos em nossas mãos um instrumento que tem por objetivo tornar o produto menos prejudicial, como criamos tudo o que você assiste, escuta e lê, mirando em agregar no seu conhecimento e preparar sua sessão da melhor maneira possível.

Dito isso, surge a questão: então por que diabos restringem o alcance dos conteúdos?

A resposta é simples e triste: porque nos colocam na mesma categoria que o cigarro.

Ele mesmo: o estoura peito. O fedido. O pirulito de otário. O bastonete do diabo.

Redes como os gigantes Youtube, Facebook e Instagram limitam e MUITO o alcance dos conteúdos relacionados a arguile ao seu consumidor final. A grosso modo, quando um novo conteúdo é postado, ele faz com que o conteúdo apareça apenas para alguns poucos seguidores e não para todos, como deveria ser.

É o fantasma do Family Friendly, meus amigos!

Sabe-se há muito tempo das restrições de propaganda do cigarro e as duras sanções legais que são impostas a partir do momento em que se infringe quaisquer dos artigos. Mas também que nossa amada shisha não pode ser diretamente relacionada ao cigarro e que fazer essa relação, além de bastante preguiçoso, é irresponsável e até covarde.

Quanto a restringir o conteúdo, mais ainda. Vivemos em uma constante batalha por um espaço que é nosso por direito, mas nos foi tirado por puro preconceito. E é engraçado notar que há esse esforço para limitar nosso alcance, mas pouco esforço vindo dos famigerados e temidos algoritmos para com conteúdos pornográficos, violentos e de violação de copyright, por exemplo. Tudo bem para o senhor Cláudio de Lima Antunes monetizar um canal onde ele sobe todos os episódios da terceira temporada de Todo Mundo Odeia o Chris (com uma bordinha estilosa, quadro invertido e ligeiramente mais rápido, para dar aquela dribladinha nos robôs, né papai), lucrar em cima da obra de outras pessoas e ainda assim aparecer no “Em Alta”. Agora, ensinar como preparar um rosh?! AH, NÃO!

É brincadeira ou não é?!

Sempre batemos na tecla que nosso conteúdo é dirigido para quem já é fumante. Não existe uma promoção ao tabagismo, como insinuado. E reforçamos: se você não fuma, não comece a fumar. Não tem porque desenvolver um novo vício, e o vício em nicotina, apesar de parecer inofensivo, é um dos piores que existe. O conteúdo é inteiramente destinado aos já adeptos da cultura, que procuram aprender novas e mais efetivas formas de se apreciar nosso tabaco da maneira menos danosa e mais responsável possível.
Em contrapartida, o que é feito pela indústria do cigarro nesse sentido? Existe uma conscientização do público quanto ao consumo do cigarro além dos avisos que são obrigados a imprimir em suas embalagens? Você já assistiu uma review do Marlboro Light que diz o que é bom, o que é ruim e a melhor forma de consumi-lo? Algum tutorial de como harmonizar seu Derbão prateado com um belo chianti?

Por fim: é justo colocá-los no mesmo patamar que os amantes da shisha?
Mais uma vez, é hora de bater na tecla da união. A mídia desinformada, políticos gananciosos com olhos apenas para o benefício próprio e os diversos algoritmos dos gigantes do Vale do Silício estão contra nós: os produtores de conteúdo e vocês, fumetas. Mais do que nunca (Salve, Faustão), sua audiência é fundamental para o nosso crescimento e para que continuemos de pé! Estaremos sempre aqui para ajudar a apreciar os melhores sabores e ensinar os melhores métodos para uma sessão sem igual.

A luta segue, rapaziada. E estamos juntos!

Por: Blog do Arguile