Muitas histórias e teorias sobre o surgimento do arguile já foram escritas, seja no Wikipédia ou em sites sobre a cultura do Oriente, sempre vemos diferentes versões sendo ditas e compartilhadas, mas nenhuma apresenta dados suficientemente comprobatórios que corroboram e associam a uma pessoa ou povo. O que sabemos até hoje é que ao certo não se sabe realmente muita coisa (rs).

Há quem atribua o surgimento do arguile a um médico turco que teria o criado com intuito de purificar a fumaça através da água e torná-lo um prazer menos nocivo? Bom, de concreto, o que se sabe é que no Oriente Médio desde a popularização cultural as coisas não mudaram muito, a maioria do insumo ‘tabaco’ ainda é produzida de forma rústica, artesanal e sem muitas opções de sabores, facilmente encontrado em feiras livres e geralmente vendido em tonéis, a granel.

No Brasil, apesar de aparentemente ter adotado permanentemente essa cultura secular, as modificações sofridas são evidentes. Assim como em outros continentes é perceptível a diferença entre o comércio e o consumo do arguile, bem como as cada vez mais raras feiras voltadas ao público – característica ocidental que une prazer aos negócios.

Sábado dia 09/02/2019 houve um evento de grande porte, com uma incrível estrutura e dando ênfase ao comércio de tabaco para arguiles no Brasil. Além dos sabores diferenciados como atrativo, hoje as marcas tentam se reinventar trazendo abordagens comerciais antes ignoradas, utilizando nomes pegajosos e embalagens mais ligadas com o cenário jovem atual. Um ótimo exemplo disso é a linha ‘Comic da Adalya’, que vimos por lá e devem se espalhar por todo país. Com uma roupagem totalmente voltada para os personagens da vida real que estão presentes por gerações e fizeram história nos quadrinhos, na música, desenhos animados e telas de cinemas, a marca busca essa aproximação através de tendências atuais do mundo jovem, caprichando na escolha das estrelas que dão cara aos lançamentos, e nas imagens que estampam as embalagens, sempre com muita cor, expressões e claro, sabor.

Durante a feira tive a oportunidade de conversar com pessoas envolvidas com a marca e o que me chamou muito atenção foi a sensibilidade na associação do sabor, com a estampa e o nome da embalagem. A exemplo disso temos o sabor “Poderoso Chefão”, que se não me falha a memória, foi usado como inspiração cenas do filme em que o ator ‘Mario Puzo’ contracena com sucos nos sabores laranja e uva, captado pela marca com um mix cítrico bem característico. Um detalhe sem muita importância para o público que assistiu ao filme. Em “El Patron” desde a imagem da embalagem ao sabor retrata efetivamente a vida desse personagem, o contraste da coca com baunilha uma sensibilidade captada e utilizada pela equipe de admirável perspicácia da Adalya.

Algumas das recentes caras novas que a marca também apresentou foi a: ‘Bob Marley – No Woman No Cry’, creio que a intenção era reunir, assim como Bob fez em vida, muitas coisas boas e compartilhar com todos a importância do jamaicano mais ‘roots’ que existiu na nossa história. Como as músicas de Bob, o sabor foi um sucesso e refletiu consequentemente nas vendas, o resultado foi prateleiras vazias e clientes pedindo “bis”.

Outra aposta são os super-heróis e personagens dos quadrinhos. Totalmente em alta e queridos pelos jovens, os traços e cores marcantes foram bem aproveitados, enfeitando as prateleiras e trazendo a mística da identificação paralela entre personagem e o sabor que ele representa. O interessante da linha ‘comic’ é sua grande capacidade de exploração, pois o tema possui diversas possibilidades de associações e sabores que só o tempo dirá. Heróis ou não que dita o sucesso de todo lançamento é o público que detém os verdadeiros super poderes.