“Medo é o caminho para o lado escuro – medo leva à raiva, raiva leva ao ódio, ódio leva ao sofrimento”, disse sabiamente Mestre Yoda ao jovem e inseguro Anakin Skywalker, antes dele se tornar o implacável assassino intergaláctico que conhecemos pela alcunha de Darth Vader.

Mas não precisamos estar em uma galáxia muito, muito distante para saber que esse conceito quebra a quarta parede com vigor e adentra o mundo real, o nosso mundo… o mundo do arguile.

Há muito, medo e ódio são diretamente relacionados. Ademais, o medo do desconhecido é alvo de diversos estudos e artigos de cunho psicológico. É natural que nós, seres humanos, tenhamos aversão ao desconhecido. 

“O medo do diferente é o pai do preconceito, que por sua vez abre feridas na alma” – Lya Luft, Múltipla Escolha, 2010.
Essa água bate com uma força desagradável em nossos glúteos, pois muito pouco se sabe CIENTIFICAMENTE a respeito dos malefícios causados ao nosso corpo por nosso cremoso hobby. Aliado a isso, temos a exaltação de estudos pouquíssimo embasados (e até mesmo deturpados) por nossa víbora mais querida, conhecida como GRANDE MÍDIA. Até mesmo o ‘fumeta’ que acabou de debutar já ouviu a grande falácia de que “uma hora de arguile equivale a 100 cigarros”. Esse zumbido chato e raso paira nossos ouvidos desde antes de Inri Cristo sofrer o acidente que o fez acreditar ser o próprio Messias.

Fatores como estes fazem com que uma onda de ignorância e desinformação se espalhem, trazendo repressão como efeito colateral.

A ACIPA BRASIL (Associação de Comerciantes e Importadores de Produtos para Arguile, que busca informar, defender e debater sobre o que acontece no mundo do arguile), por meio da importante campanha #RESPEITAMEUNARGUILE, chama a atenção para um projeto de lei (769/2015) que circula no senado enquanto você lê esta matéria (!!!), que visa proibir todo e qualquer comércio de essências flavorizadas aqui em terras tupiniquins. Um projeto de lei galgado no medo que a falta de conhecimento traz.

Esse projeto é de autoria de José Serra, que apesar de ter comandado as pastas do Ministério da Saúde durante o governo FHC, não tem nenhuma especialização na área médica ou científica, tampouco embasamento para se analisar devida questão.

Toda essa falta de conhecimento, junta do preconceito, culmina em medidas paliativas e de pouca eficiência, tal qual a intransigente proibição.

Um expoente que ilustra de maneira bem clara a situação mencionada é o famigerado caso da Lei Seca, implantada nos Estados Unidos da América na longínqua década de 20. Esta desinteligência jurídica foi implantada a fim de se resolver uma questão que já se arrastava há décadas, sendo que o consumo de ‘biricoticos’ possuía um aspecto desenfreado na sociedade americana, resultando num aumento significativo nos índices de violência e pobreza. Contudo, o efeito causado foi inversamente proporcional ao projetado, visto que tal medida abriu espaço para o comércio desse artigo por meios escusos e ilegais, como o mercado negro e as tão famosas máfias, fazendo com que os índices de criminalidade em diversos estados aumentassem sensivelmente. Resumindo: O tiro saiu pela culatra. ‘Meio que bastante!’

Ao perceber o cepo de madeira besuntado em cerol que adentrava desenfreadamente o reto da pátria estadunidense, a lei foi revogada 13 anos depois de sua sanção, sendo a única instância de uma Emenda que foi depois anulada.

Paralelamente, havia outro malquisto em vista: a Cannabis, que vinha ganhando certa notoriedade na indústria têxtil, com a utilização do cânhamo (fibra obtida da planta) na produção de tecidos; na indústria do biodiesel; e até mesmo na composição de produtos farmacêuticos. Isso chamou a atenção de empresários já muito bem consolidados nos citados ramos, que conjecturavam um possível e bem provável impacto em seus lucros. Além disso, foi observada uma alta incidência do uso recreativo da Cannabis nos grupos afrodescendentes americanos, o que, numa época extremamente racista, foi visto com maus olhos.

Tendo isso aliado à revogação da Lei Seca e seus extintos departamentos (que agora estavam repletos de desocupados), em 1937 é aprovado o MARIJUANA TAX ACT, que proibia não só a Cannabis, como também a produção de cânhamo. Proibição essa que perdurou por décadas. Até que chegamos em 2018, aonde a RBC Capital Markets, uma instituição financeira dos EUA, mostra que as vendas legais de Cannabis entre os americanos estão perto de alcançar as mesmas cifras das bebidas destiladas e do vinho, e podem chegar a US$ 47 bilhões na próxima década. Tudo isso graças à legalização da Cannabis, que ocorreu em diversos estados americanos (além de vários outros países) de uns anos para cá. E dessa dinheirama toda, pode-se recolher impostos, que podem ser investidos em saúde, educação, segurança… tudo isso que todo candidato fala nas eleições que vai melhorar. Só que dessa vez, de verdade. Pensa quanto dinheiro acabou indo para as mãos erradas por todo esse tempo. Pensa o quanto esses países que reprimiram o uso da danada não poderiam ter se desenvolvido com essa obesa verba sendo injetado nos cofres públicos ano após ano, o quanto as indústrias poderiam ter evoluído tecnologicamente, isso sem se falar no aspecto mais importante, que é o medicinal. Vidas poderiam ter sido facilitadas e salvas nesse meio tempo. Mas a ignorância e preconceito acharam mais uma vez um jeito de estragar tudo. Como sempre!

São dois exemplos que elucidam bem que medidas de completa restrição geralmente trazem resultados diversos do esperado, pois ela não elimina da equação o público que aprecia estes produtos. Nosso caso não é diferente. E tudo o que chega às nossas mãos hoje de maneira lícita, honesta, e que ajuda a roda da economia a girar, poderá ser vendido clandestinamente, por meio de contrabando, exponenciando a força de organizações criminosas e a violência, caso essa lei seja aprovada. 

É hora de tirar a união e força do arguile do textinho na mídia social, e trazer para vida real. Somos muitos e podemos muito. Mas sozinhos não somos nada!

É isso fumetada. Agora é o End game!

Por: Blog do Arguile