Na década de 90 era comum as danceterias cheias de luzes e aquelas batidas com vocal feminino, peculiares da música eletrônica da época. Com bebida e muito neon a galera se divertia nos embalos de sábado à noite.

Em São Paulo assim como em algumas capitais do Brasil, a tendência das ‘discotecas’ foi ficando maçante e repetitiva, perdendo espaço para os ‘barzinhos’ que ofereciam música ao vivo, céu aberto, cerveja gelada e uma boa conversa de roda com os amigos.

Com a expansão do mercado nacional de arguiles, as danceterias e os bares viram surgir os lounges. Simples ‘puxadinhos’ de tabacarias que reunia música jovem, bebida, conversa boa e arguile. Rapidamente presente no roteiro dos ‘rolês’, os lounges foram evoluindo, se multiplicando e chamando atenção dos donos de estabelecimentos voltados para a vida noturna, que diante do mais novo competidor de mercado, se viram forçados a se reinventar, atendendo a demanda e criando uma nova modalidade de estabelecimentos. Essa grande fusão deu resultado a grandes estruturas com bandas ao vivo, DJs, luzes, bebida e o tão querido arguile, a noite ficou completa e as casas de dança, bares e lounges, agora independentes de tabacarias, cheios.

O reflexo disso foi rápido e sentido principalmente pelos comerciantes do ramo de arguile: importadores ou quem vende e vive do comercio desse artigo, mesmo que o consumo só aumente, diminuiu e muito o número de ‘fumerinhos’ que se reuniam em sessões anteriormente organizadas entre os carros na garagem de casa, na sala vendo o futebol ou até mesmo nas calçadas dos bairros das cidades, curtindo aquela ‘playlist’ bacana.

Tiveram aqueles que já não viam mais motivos para ter arguile em casa, já que o aluguel se tornou tão prático e cômodo. É cedo para afirmar as consequências sentidas a longo prazo, obviamente toda novidade tem seu ‘hype’ seguido de algumas oscilações que aparecem no decorrer do tempo. Essa talvez seja a primeira vez que o comércio do arguile ou as novas tabacarias estejam sentindo uma queda, um risco eminente de que a bolha certamente passaria próxima a objetos pontiagudos. A única certeza para você que seja um apreciador ou não, é que está cada vez mais difícil entrar em uma ‘baladinha’ e não se deparar com aquela fumaça ou com cheiro adorável e característico do tabaco queimando no rosh.

Por: Sidney Gritti