Com quinze anos de metalúrgica e apaixonado por um hobby prazeroso, não seria nada improvável a fusão das duas atividades mais praticadas por Wagner Uhlmann, proprietário da marca de arguiles e acessórios Marajah. Ele abriu as portas de sua empresa, para nos mostrar os processos de produção e contar um pouco de sua história.

Wagner se pegou fazendo, artesanalmente, alguns acessórios para suprir as necessidades de suas sessões. Algum tempo depois começou a fornecer acessórios para lojas em Curitiba, cidade onde vive, até que tomou a decisão de lançar sua própria marca. Hoje ele está do outro lado da moeda, encontrou a oportunidade de unir hobby e trabalho, e assim conseguiu aumentar a produção, baratear custos e consequentemente fornecer produtos mais em conta para os consumidores finais.

“O lucro é consequência, a ideia sempre foi colocar em prática o que eu gostaria que estivesse disponível, por isso algumas ideias fogem do padrão”. – Wagner Uhlman

O nome Marajah veio com inspiração e admiração pela marca Hookah King, que estava em evidência quando decidiu fundar sua própria marca. Era “King aqui” e “king acolá” (sic), e pesquisando sobre o surgimento dos arguiles se viu em meio a Índia, onde não existem reis e sim Marajás, assim surgiu a ideia do nome.

O arguile entrou em sua vida quase junto com a metalúrgica. Com um clássico ‘China’ de procedência duvidosa, trocado a cada 6 meses, pois enferrujava. Além das mangueiras Mya, que soltava fuligem e nos deixava asfi xiado (hahaha). “…tempos difíceis, mas que dá uma certa nostalgia…” – Wagner Uhlmann.

Não se vê mais fora do ramo do arguile e diz que se não fosse fabricante e dono de marca, certamente teria sua loja/lounge pois considera ideal o contato com o público.

A Marajah conta com uma vasta gama de acessórios e arguiles, o primeiro acessório foi uma espécie de Minzari, um mix de controlador de calor com rosh, com o nome de Dhéli. Sua primeira stem foi o pequeno Mumbai, uma curiosidade nos contada foi que nos primeiros protótipos ele era oco. Conta ainda com o Dubai de grande porte e o Dhule, com seu tamanho mediano, com as variações: Clássica (anodizada somente) Timber (acabamento em madeira) e Eff ects (pintura, com efeito, 3D). Além das Stems a marca conta com os pratos Nidhi com uma “grelha” para bater o carvão e armazenar as cinzas durante a sessão, pegadores e as Piteiras Hose e Slim Hose.

Os nomes dos produtos e arguiles foram criados com a intensão de trazer referência Indiana para os materiais, com exceção do Dubai.

Todos os arguiles, até o Dhule Timber são 100% alumínio, devido sua versatilidade durante a usinagem, com exceção de suas downstem sempre em inox, porém agora foram acrescentadas as centrais de madeira, para dar um ar mais rústico e clássico.

O processo de fabricação das peças do arguile tem como primeiros passos: o recebimento da matériaprima, a conferência de medidas e quantidades e a emissão das ordens de fabricação dos modelos.

No caso do coração, central e ponteira, o material é enviado para a serra fi ta para corte do metal, e para o torno CNC para desbaste dos lados, para fazer os alojamentos dos orings, usinagem do perfil e furação da passagem da fumaça.

Após a conclusão da central e das ponteiras, o coração vai para o centro de usinagem, para que sejam
feitas as furações inferiores (para entrada e saída da fumaça), os encaixes da downstem e do adaptador e são feitos os alojamentos do respiro e da mangueira. Para a fabricação do adaptador, a matéria-prima coletada é enviada para a serra fita para corte do metal e em seguida para o torno CNC para usinagem do perfil, criação do canal para oring e furação de passagem da downstem.

Depois disso, o adaptador vai para o centro de usinagem para oblongo de encaixe do coração.

Para a fabricação da downstem a peça é encaminhada para o torno CNC para usinagem do comprimento e dos alojamentos dos orings. Em seguida são feitas as furações do difusor em furadeira de bancada, os furos são escareados e as rebarbas removidas.

Após a conclusão dos procedimentos de fabricação, propriamente ditos, todas as peças são encaminhadas para inspeção final no setor de qualidade, onde sendo aprovados, são enviados para o setor de embalagens. Depois disso, o adaptador vai para o centro de usinagem para oblongo de encaixe do coração.

Para a fabricação da downstem, a peça é encaminhada para o torno CNC para usinagem do comprimento e dos alojamentos dos orings. Em seguida, são feitas as furações do difusor em furadeira de bancada, os furos são escariados e as rebarbas são removidas.

Após a conclusão dos procedimentos de fabricação, todas as peças são encaminhadas para inspeção fi nal no setor de qualidade, onde sendo aprovados, são enviados para o setor de embalagens.

A Marajah acaba de lançar uma caixa para o Dhule mais elaborada, foi tomado um pouco mais de carinho e capricho, pois as embalagens agregam muito aos produtos, ajudando na venda. Um exemplo disso são as embalagens das piteiras e do controlador de calor Octagon, que são em blister, uma espécie de plástico ígido que toma a forma do produto embalado, dando um profissionalismo e acabamento que é percebido pelo consumidor fi nal. Não é considerado um fator decisivo, mas se o cliente busca qualidade ele irá notar esta diferença.

Antes de fi nalizarmos, com duas perguntas polêmicas, nossa entrevista à Marajah ele nos antecipa que teremos muitas novidades a curto e longo prazo e promete que a marca veio para ficar.

O que você acha das similaridades de produtos e até mesmo das cópias que encontramos hoje em dia?

“Sinceramente? A pessoa que se sujeita a isso é muito pobre de espírito. Os produtos não são lançados na louca, existe um estudo, um porquê de cada coisa ser daquele jeito. E vem uma pessoa de pouco caráter e simplesmente copia. É muita falta de criatividade e respeito ao próximo. Recentemente a Marajah sofreu com copias vindas da China, já sabemos quem trouxe, e o próprio círculo de fabricantes corretos e lojistas idem estão excluindo essas pessoas”.

Qual sua visão geral do mercado? O que dizer sobre os “paga lanche” do ramo?

A visão da Marajah é que o mercado é expansível, existem cidades carentes de produtos e lojas, porém os aventureiros se aproveitam disso. Acreditamos que o mercado vai amadurecer e as boas marcas sobreviverão, afinal qualidade e profissionalismo sempre terão espaço. Até mesmo o próprio consumidor, que compra uma réplica ou um produto de baixa qualidade, em breve acabará comprando um de qualidade ímpar, e torço que seja Marajah, rs, rs, rs. Sobre os “paga lanche”, isso existe em todas as áreas, o que me entristece é que às vezes uma baita ideia ou uma marca legal pode ser barrada por já estarem mamando ou vendidos.

“A Marajah, em nome de seu fundador, Wagner Uhlmannn, agradece a oportunidade de poder contar um pouco da sua história. É um orgulho ser reconhecido e presenteado com essa exposição. HBE pode contar sempre conosco”!

Por: Redação HBE