Relembrando fatos importantes que se perderam na cultura do arguile.

No começo tudo parecia brincadeira juvenil nas reuniões, futebol com a galera e nas festinhas de bairro, sempre em torno de um ritual. Geralmente aquele arguile chinês, em sua grande maioria de 2 ou mais mangueiras não laváveis. Reflexo de uma época ainda sem conhecimento e poucas marcas no mercado, éra­mos reféns dos mesmos sabores: uva, menta, duas maçãs e a sensação chocomenta. Roshs ainda eram chamados de porce­lanas, tradicionais colori­dos, esmaltados e aquele carvão de pólvora sabor “Burned Paper”, semi aceso e com o cheiro exa­lando que mais parecia uma bombinha de núme­ro 4, aquelas usadas nas festas juninas. Feliz na época era quem tinha um Khalil Mammon, o famo­so “KM”, ou mesmo um arguile de origem egíp­cia, síria, turca que fora trazido por parentes em forma de souvenir ou os pouco funcionais arguiles indianos.

Pois é, nessa época mes­mo com toda a dificul­dade e precariedade, as poucas lojas existentes, assim como os adeptos da cultura eram realmen­te pessoas aficionadas e não se importavam com marca, modelo, sim­plesmente ali se faziam ótimas sessões e se culti­vava amigos.

Em tempos atuais a cultu­ra foi deixada para escan­teio, fumar em um “KM” era motivo de orgulho, hoje significa para uma parcela dos descolados, hábito de iniciante. As marcas cultivam adeptos e não a cultura em si, e olha que nem tanto tem­po assim se passou, ou será que passou e não percebi?

Realmente parece que foi ontem, o maçariquinho recarregável, o carvão pastilha sendo espremido por pinças que gentil­mente chamávamos de pegador e muita história para contar. Nostalgia ou não, hoje ainda em me­sas nos famosos e cada vez mais consagrados e modernos lounges, mui­tas vezes somos pegos falando dessa época com um sorriso no rosto, pe­ríodo que mesmo sendo saudosista, estava logo ali a 4, 5 ou 6 anos atrás. Agora resta sentar, tentar desrosquear e higenizar os arguiles caros, colori­dos e muitas vezes de má qualidade, com aquele vi­dro ou como preferem os entendedores vaso com ouro 24k, roshs nacionais de material duvidoso, mas que curiosamente são feitos em uma mes­ma fábrica, aquela #cane­Mint ou #strongFuckMint, relaxar, respirar e tentar desvendar o que será escrito daqui a alguns anos.

Por: Sidney Gritti