Minha modesta experiência como usuário e comerciante do ramo de arguile somados, ultrapassam duas décadas. Isso significa que além de ser um “tiozão” jovem, passei por diversas fases desse processo, desde a aparição das primeiras marcas importadas, até o que temos hoje.

Nos últimos dois anos, especialmente, venho notando uma mudança cultural entre os consumidores, isso não me espanta, uma vez que a mudança é natural e cada vez mais ágil nos dias atuais.

A maneira de se consumir arguile não é diferente, ela sofre influência de inúmeros fatores que comanda a direção e o mercado, sempre muito atento, contribui para que tudo aconteça da melhor maneira possível.

Até há algum tempo atrás, eu sempre recebia convite para participar de sessões de arguile na casa de amigos, colegas, fornecedores; elas se limitavam a um espaço aconchegante da casa, geralmente uma área arejada com cadeiras confortáveis, chinelos nos pés e alguma bebida servida pelo anfitrião.

Assim também era com a grande maioria dos clientes que compravam na minha loja, 2 tabacos de 50g, algumas peças de carvão e tudo feito, só ir rumo a casa de um brother se reunir com a galera, fazer uma sessão e se divertir conversando, vendo um jogo, uma luta, enfim, o arguile estava inserido neste tipo de ocasião.

Com a competitividade das marcas se acirrando e o mercado explorando as possibilidades de se reinventar e monetizar ainda mais o arguile, vimos surgir lojas mais equipadas, com maior variedade e oferecendo espaços para que pessoas pudessem compartilhar uma sessão dentro da própria tabacaria, uma espécie de teste prático para o que viria a ser os lounges hoje em dia.

Os lounges voltados para o público adepto ao arguile já existiam por todo o mundo, eles são simplesmente uma adaptação que foi implantada por todo território nacional com um toque abrasileirado.

Os comerciantes enxergaram essa carência, iniciaram com projetos pequenos, muitas vezes, verdadeiros “puxadinhos” em suas lojas que uniam o útil ao agradável, acrescentando mais poder de capitalização ao seu espaço que até então apenas vendia.

A partir daí as pessoas além de comprar, podiam consumir naquele espaço, alugar um narguile e escolher o sabor do tabaco, quantidade de carvões, um verdadeiro serviço à la carte com todo conforto e comodidade, mas claro que sempre respeitando as leis e diretrizes impostas.

Eis que acontece a emancipação dos lounges, o que era um espaço agregado às lojas, hoje são estruturas independentes, com shows ao vivo, bebidas, verdadeiras casas noturnas com arguile e que vieram pra preencher essa lacuna.

Tal carência, assim que atendida, refletiu neste fenômeno que trago aqui, uma boa queda nas vendas para os consumidores finais e uma nova modalidade de clientes, os proprietários de lounges que apareceram fazendo esse intermédio que não existia, mas com muita criatividade e visão de negócio conseguem fazer sucesso pelo país.

Confesso que por vezes me peguei tendo lembranças dos tempos em que frequentava a casa de amigos para fumar nosso arguile, sinto saudades do calor e aconchego que uma casa pode trazer.

Aquela área grande, as plantas das mães dos nossos colegas espalhadas por toda a casa, o cachorro passeando pelo espaço, o pé descalço em cima da mesa, toda essa descontração é insubstituíveis e tem sido trocada pela conveniência e praticidade.

Fumar arguile em um lounge tem inúmeras vantagens, por exemplo: você não precisa ter um arguile, não precisa lavar, não precisa saber montar um rosh, os carvões aparecem acesos pra você em poucos minutos, bom, a lista é extensa, mas para mim, jamais irão se sobrepor, daquilo que pra mim, representa uma das mais importantes funções sociais da cultura, a reunião com pessoas queridas, compartilhando um maravilhoso arguile no calor do nosso lar.

Por: Sidney Gritti