Sabe quando você vai lavar sua stem, que ficou parada e sem lavar por 37 dias, e sai aquela aguinha salobra, quase preta, não fossem os pedacinhos de mofo? Falando em mofo, e aquele monstrão (que mais parece uma gosma protagonista de filme de terror lado B do cinema em casa) que aparece no vaso depois que você deixa ele com água e melaço lá no canto do seu quarto e só encosta nele de novo duas semanas depois?

Se você sabe do que estamos falando, então você é um nojento do caralho e precisa aprender mais sobre HIGIENIZAÇÃO.

“Porra, pombetas, é sério que vocês vão dedicar uma matéria inteira para falar como a gente deve limpar nosso nargos? Tão de palhaçadinha?”

Não, não é isso!

Estamos aqui com o único objetivo de: alertar sobre os problemas que a falta de higiene pode desencadear e trazer de malefícios para sua sessão.

Como nosso querido nargos funciona não é mais segredo para os leitores dessa cremosíssima revista. Mas vamos aos fatos: o carvão, que está completamente aceso, entra em contato com o alumínio, que faz uma ponte de calor entre o carvão e o fumo. Com o calor, a essência age de forma a liberar algumas substâncias, tais como a nicotina, além dos aditivos que foram acrescentados ao tabaco para que se tenha um aroma e sabor agradáveis. Dada a reação, como acontece com tudo que queima, a nossa amada fumaça vem à tona. E quando puxamos pela mangueira, o fluxo de oxigênio faz com que o calor se intensifique, e mais fumaça é liberada. Essa fumaça (quente que só a desgraça, diga-se de passagem) passa por toda a stem, é resfriada na água para que não chegue em nossa glote com alta temperatura e  a queimemos, e finalmente chega a nossas vias respiratórias, para nosso deleite.

Pois bem, quando você é um porco nojento descuidado e acaba esquecendo seu arguile sujo, parado por muito tempo (as vezes dá preguiça, tamo ligado como é), o que acontece: a exposição constante e a longo prazo dos componentes da essência (mais especificamente, o melaço) acaba gerando vida. Mas venhamos e convenhamos que não é o tipo de vida dos mais maneiros, pois estamos falando de MOFO. Para que esse meninão cresça, basta apenas que haja UMIDADE, e a temos em quase TODOS os lugares do nosso arguile. Temos melaço por quase toda a stem, uma boa quantidade de água no vaso, que nem sempre conseguimos tira-la totalmente, uma pequena parcela na mangueira, e pronto, é como se o mofo fosse no programa do Gugu e ganhasse uma casa nova, que atende à todas as suas necessidades para evoluir.

Tendo isso em mente, além do funcionamento do arguile em si, imagine o seguinte cenário: você monta seu rosh para fazer aquela sessão depois de um longo e cansativo dia de trabalho, porém rola uma preguiça de lavar seu setup, que está parado há alguns dias. “Ah, dá nada isso aí, tio!”, pensa você, fumeteiro vacilão querido.

Mas dá. Dá pra caralho!

Pois o mesmo processo vai acontecer, com a presença do mofo ali. Então, quando a fumaça quente passar pela stem, ela não vai passar apenas pelo metal. Ela vai passar também pelo mofo. O mesmo serve para a água, onde vai rolar a maior concentração dessa nojeira.

Assim junto com a fumaça várias impurezas vêm também e ao tragar a fumaça, você dá a liberdade dessas impurezas passearem livremente pelo seu sistema respiratório, podendo causar doenças encarniçadas.

E não é só o mofo o grande vilão, de acordo com matéria publicada no site do Ministério da Saúde, a água parada também pode trazer grandes riscos à sua saúde, pois ela pode ser um meio de transmissão para diversas outras doenças, além da dengue, que é infelizmente mais popular. Estamos falando de hepatite, diarréia, gastroenterite de origem infecciosa ou outras doenças diarréicas e infecciosas intestinais.

“Ah, mas eu não trago a fumaça, truta!”. Mas é aí que você se engana, pois tragamos SIM. No caso do arguile, rola uma parada que se chama DIRECT LUNG HIT (“Impacto direto nos pulmões”, em tradução livre). Temos essa impressão de que não tragamos por não ser a mesma sensação do cigarro, mas a maneira de se tragar é diferente. Com o cigarro rola o MOUTH TO LUNGS (“Da boca para os pulmões”), aonde a gente armazena a fumaça na boca e depois “engole” ela. Então a sensação é diferente, mas ainda assim tragamos a fumaça quando fumamos arguile. E não é pouco. Ou você realmente acha que toda aquela fumaça que você solta cabe na sua boca?! (Pode ser que você consiga realmente armazenar muita coisa na sua boca, mas aí é assunto pra outra matéria, pra outra revista!)

Deu para ter uma noção de que ser porco e não lavar seu setup pode dar ruim, né?!

Além da limpeza do setup, um bom armazenamento de suas essências também pode te salvar. Lembra da umidade que falamos? A essência tem DE SOBRA, por conta do melaço, então procure guardar seus fumos em algum lugar seco, num pote ou embalagem bem lacrados, para evitar esse problema.

Um outro tipo de higiene e proteção é o uso de piteiras próprias para fumar em arguiles de terceiros, junto com seus amigos ou pessoas desconhecidas. É uma prática que está em crescimento no Brasil, mas que sempre foi algo padrão no resto do mundo. No exterior, ao frequentar algum lounge ou restaurante que tenha serviço de arguile, cada pessoa recebe uma piteira plástica descartável (quem é das antigas vai lembrar que na embalagem antiga da famigerada Afzal vinham duas piteirinhas nesse estilo) assim tendo mais higiene e proteção, pois nunca se sabe se a outra pessoa está doente, com algum tipo de corte na boca ou até mesmo aquele seu amigo babão, que parece um bebê de 7 meses fumando. Aqui no Brasil, felizmente, o uso das piteiras está aumentando mais e mais. Mas diferente do resto do mundo, o brasileiro, sendo o mestre supremo da gambiarra, “inventou” um novo tipo de piteira: basta você pegar aquela mangueira sua de silicone e cortar 2 dedos. Assim colocar num cordão (aqueles de pendurar chaves) no pescoço e desfrutar das piteiras.

Algumas marcas estão fazendo os cordões personalizados como uma forma de divulgação, já que a prática está em ascensão. Outras foram mais além, fazendo a piteira em si com materiais totalmente diferentes e com a exposição da marca na mesma, que é o caso da parceria da Stick Hookah e Sultan Hookah, a NoX Pipe. Trazendo a preocupação com a proteção e um conceito de beleza ao produto, ela se diferencia por ser de materiais atóxicos, a piteira é composta por aço inox e a corrente em aço cirúrgico, também uma mini escova para lavar a parte de dentro da piteira (também em aço inox).

Essa prática é uma das melhores coisas que aconteceu em nosso mercado nos últimos anos. Isso também ajuda a combater as mentiras da mídia sobre doenças pesadas de boca e língua. Mostrar que nos importamos com nosso hobby e queremos passar a melhor imagem sempre.

Então, pare e pense bem antes de fumar naquele seu setup encostado, pois além de prevenir uma série de problemas, você ainda ajuda a imagem do arguile ao não vincular nosso hobby gostoso às doenças que podem fazer com que você estique as canelas!

Fontes: https://goo.gl/8u9Q3i

Por: Pombo de Adão