Diferente de seu aparecimento descrito na edição de junho de 2015 na minha coluna da HBE, onde o arguile tinha por base um coco e uma mangueira improvisada, nos dias atuais o mercado vem sendo bombardeado de produtos, marcas e arguiles com o mesmo tipo de material em quase 100% dos casos.

É notório o crescimento de modelos fabricados em torno mecânico que utiliza como matéria-prima o alumínio. Este modus operandi está cada vez mais presente em nosso meio, inclusive deixando de lado os antigos e tradicionais arguiles fabricados manualmente, como o consagrado Kalil Mamoon e Farida.

Mesmo tendo um preço elevado, devido ao custo da energia e mão de obra, as peças feitas em ‘torno’ e prensas tomam cada vez mais espaço dentro blogs com setups luxuosos e modernos.

Como foi mencionado em uma matéria da HBE, o “jeitinho” brasileiro vem se tornando padrão, uma cultura ocidental,sul-americana, com a puxada cada vez mais leve, grande volume de fumaça e a evidente falta de criatividade nos designs que esses modelos apresentam. No entanto, o fato que chama mais a atenção são os acessórios, que hoje trazem diversos modelos de pratos, piteiras, controladores de calor e até mesmo uma simples tampa que acelera o processo de acendimento dos carvões. A pergunta que me faço: isso é bom para quem?

Diante de uma das maiores crises financeiras de um país emergente, se torna notório que muitas pessoas ou criadores busquem espaço em meio ao mercado aquecido, fato esse que seria muito bom se essa explosão não fosse de uma forma desordenada, com produtos de baixa qualidade e com preços e propostas semelhantes, resta saber até quando o mercado absorverá tal quantidade de lançamentos.

Acredito que em breve conheceremos a primeira bolha “arguileira” do mundo.

Por: Sidney Gritti