As essências que utilizamos em nossas sessões são compostas por três elementos: o flavorizante – responsável pelo sabor, melaço de cana de açúcar ou mel, e o tabaco.

O tabaco é gerado a partir do processamento das folhas de plantas da família Nicotiana, popularmente conhecidas como tabaco ou fumo. Ele tem papel importante na sessão, pois ‘conduzirá’ todo o sabor, armazenado na mistura do flavorizante e o mel, para o seu cozimento completo. O tabaco pode ser subdividido em dois grupos: os flavorizados e os não flavorizados. No Brasil é notório que o consumo das “essências” não flavorizadas é extremamente baixo, um dos principais motivos é a ausência do sabor. Porém não é um produto de se dispensar, indico que ao menos a título de experiência dê uma chance a ela, e após o consumo um ótimo banho no seu arguile, rs.

Estima-se que mais de 30 países possuam plantações de tabaco, incluindo o Brasil. No ramo do arguile, podemos encontrar quatro tipos de tabacos que se tornaram comuns na composição das essências: o Virginia, Oriental/Turco, Burley e o Dokha.

Tabaco Virginia
É o mais utilizado e cultivado no mundo, podemos classificá-lo como o “carro chefe” no mundo do arguile, pois o encontramos em diversas marcas de essências para arguile. Devido a sua cor amarelada e dourada adquirida durante o processo de cura, o Virginia é conhecido como “Tabaco Vivo”. Curado em estufas, suas folhas são aquecidas gradativamente e extraída sua umidade junto ao controle de entrada e saída de ar, permitindo que ocorram as transformações físico-químicas desejadas, tudo ao mesmo tempo, este processo pode demorar uma semana. Uma de suas principais características é ser leve no aroma e sabor. Os principais países que cultivam este tabaco são a Argentina, Brasil, China, Tanzânia e os Estados Unidos.

Tabaco Oriental/Turco
Este tabaco é o de maior valor em sua variedade aromática, suas folhas são pequenas e colhidas uma a uma, muito semelhantes ao Virginia é também encontrado em essências mais tradicionais no mercado de arguile. O processo de cura é dado ao ar livre, exposto ao sol, onde as transformações físico-químicas serão originadas pelo contato das folhas com o ar e ambiente mais quente. Os principais países que cultivam o tabaco Oriental são Bulgária, Grécia, Macedónia e Turquia.

Tabaco Burley
O tabaco Burley é classificado como um dos mais resistentes a vírus e doenças, em contrapartida seu manejo e cultivo mais caro e trabalhoso. Para ter um Burley de qualidade 100%, precisa passar por um processo de cura muito cuidadoso em um período de 60 dias, em ambiente controlado, apesar de ter sua cura ao ar livre. O ambiente ideal para a cura requer temperaturas entre 18°C e 32°C, e a umidade relativa do ar entre 65 a 70%. Deve ser mantido durante o processo em galpões onde a circulação de ar seja lateral e de fácil movimentação, mantendo-o fechado durante o dia e aberto à noite. Quanto mais escuro for o ambiente, melhor para o tabaco, que não pode sofrer ação da luz solar direta. A cor do tabaco Burley vai do marrom, castanho, a marrom avermelhado. Todo o processo de cura faz com que ele perca maior parte dos seus açúcares naturais, que consequentemente o dará um sabor forte e intenso, comparado a um charuto. Os principais países que o cultivam são Argentina, Brasil, Itália, Índia, Malawi e Estados Unidos.

Tabaco Dokha
O Dokha é composto por tabaco iraniano misturado com ervas, cascas e folhas. Popular nos Emirados Árabes Unidos, Qatar, Arábia Saudita, Bahrein e outros países do Oriente Médio, existem pouquíssimos produtos para arguile em que iremos encontrá-lo. Há apenas uma marca hoje no mercado que diz ter em sua composição o Dokha. Seu sabor é extremamente intenso e forte, devido ao altíssimo teor de nicotina.

Por: Redação HBE