Por mais que o grande boom do arguile no Brasil venha acontecendo de alguns poucos anos para cá (tendo hoje um excelente exemplo disso com nosso querido ex-garoto-propaganda-de-bisnaguinhas Gabriel Sakamoto, que atingiu a incrível marca de 100 mil inscritos no seu canal no YouTube), temos em mente de que o nargos data de tempos que o guaraná de rolha e tubaína de saquinho nem sequer pensavam em existir.

E como qualquer outra cultura do mundo, o arguile cresceu em proporções estratosféricas. O que fez com que o público apenas enxergasse os dias de hoje, onde tudo é mais moderno e voltado à ostentação e ao mostrar para o amiguinho que você tem o setup mais esculachante, que custou o preço de um apartamento no Jardins (já falamos sobre esse tipo de comportamento mongoloide outra edição).

“Ah, mas vocês estão falando que a gente deve fazer igual nas antigas, se não a gente tá fazendo errado?!”

Epa, pera lá, muita calma, ladrão! Não é bem assim!

Claro que existe um movimento no meio do arguile que defende que temos de nos ater aos costumes anciões do Oriente Médio, afinal a cultura toda veio daqueles lados. Ai já é um exagero.

Apesar de originada nesta região, a cultura do arguile passeou por diversos continentes, países, cidades, grupos e gerações. E assim, como qualquer outra cultura, que evolui através do tempo, da troca de informações e da absorção dos costumes de cada povo e região, ela se transformou afim de se adaptar às nossas necessidades, fazendo com que chegássemos no patamar que nos encontramos hoje aqui no nosso querido Braza. E por mais distante que possa parecer da ideia original, é uma válida variante dessa cultura gostosa e relaxante.

Então o ponto aqui não é coibir você querido(a) leitor(a), a agir exatamente como os povos arguileiros de outrora, e sim a CONHECER e RESPEITAR a cultura que amamos.

Hoje existe uma desinformação tão absurda, que chegamos ao ponto de fumetinhas mais juvenis chamarem de iniciantes aqueles que fumam em arguiles egípcios, com roshs tradicionais e mangueira de couro. Coisa que, para gente, que há 8 anos atrás guardava cada moeda de 10 centavos para depois de alguns meses conseguir comprar nosso tão sonhado KM Trimetal, é um ultraje.

O que queremos fixar aqui é: NÃO EXISTE JEITO CERTO DE FUMAR!

(Tá, num é por isso que você vai jogar o rosh dentro do vaso com Guaraná Kuat, colocar o fumo dentro da calça e usar uma mangueira de jardim comprada na TelhaNorte para fazer sua sessão).

Você não precisa passar a mangueira com a ponteira virada para você, e dar dois tapinhas na mão do amiguinho para fazer certo. Mas também não é para pagar de mongol e ficar depreciando o parça que fuma do jeito antigueira, só porque o arguile dele não tem o fluxo de 27 bailes do Helipa, 43 respiros e uma mangueira que não estraga nem com bomba de hidrogênio.

Fuma do jeito que você gosta, respeita quem veio antes, respeita quem vai vir depois, e seja feliz!

É simples, é legal, é maneiro. Faz o seu, que nós fazemos o nosso!

Por: Pombo de Adão