As feiras voltadas para o público amante do arguile vem sofrendo, principalmente nos últimos dois anos, com as adequações exigidas por diversos órgãos regulamentadores que regem o uso e comercialização dos produtos presentes neste meio, em especial a ANVISA. Vemos cada vez mais organizadores de eventos frustrados e desencorajados a promover esses encontros que aproximam todo público dos produtores de conteúdo, ícones do ramo aos fabricantes, para os mais fanáticos.

A exemplo das grandes feiras em território nacional que vem sofrendo com essa regulamentação, podemos citar o caso de Maringá e São Paulo, talvez as maiores do país e que pagaram um alto preço por tentar proporcionar ao público um maravilhoso encontro de marcas, consumidores e lojistas. Os organizadores realmente se empenham e junto das marcas conseguem promover um espetáculo de profissionais, mas que não condiz no amadorismo das marcas quando se trata de leis.

Em vários artigos que escrevi, citei a velocidade em que as coisas aconteceram para o arguile no mercado nacional, inegável que hoje temos produções de arguiles e acessórios que podem ser vistos como referência e uma infinidade de marcas internacionais enxergando o Brasil como uma verdadeira potência. Os produtos chegam às fronteiras aos montes e 90% do que está na casa do consumidor burlou alguns artigos na constituição. Julgo irresponsável a tamanha falta de visão futura, afinal, não precisa ser um gênio para saber que todo esse comércio a margem das leis crescendo em ritmo chinês uma hora iria despertar os olhares das autoridades. E essa hora demorou mas chegou.

Não é de hoje que eles estão batendo em nossa porta, o evento em Maringá já sofre há dois anos e a mania de empurrar com a barriga encontrou uma barreira intransponível. A gota d’água se deu na Expo Hookah Brazil, em São Paulo, nos dias de exposição para lojistas, além do público cadastrado pelo site do evento, compareceram também os órgãos responsáveis pela fiscalização/regularização.

Os primeiros dois dias ficaram marcados por toda essa fiscalização, marcas sendo notificadas, multadas, fiscais sem preparo e cada um com uma interpretação da lei, o clima fúnebre foi inevitável.

Para muitos ali presentes, a ficha caiu ali na hora, e quem depende desse ramo para pagar suas contas, diante daquela tensão teve que buscar uma solução.

Inicialmente para sanar as necessidades mais urgentes e a feira continuasse sem descumprir as ordens legais, um grupo encabeçado duas potências no ramo do tabaco (pena não ter a foto dessa reunião), procurou restabelecer a ordem e atender a exigências pontuais. O sucesso dentro das condições em que se encontrava a situação foi alcançado, mas não era suficiente, o verdadeiro problema ainda persistia e o cerceamento das feiras, bem como da comercialização e consumo ainda estava ameaçado. Diante das adversidades em que nos encontrávamos o olhar desanimador contagiante deu lugar a uma ideia que começava a ser costurada ali.

A oportunidade era ideal, os principais fomentadores do arguile brasileiro estavam reunidos e numa conversa conjunta surgiu o plano de unir forças em prol da solução. Basicamente e de maneira resumida, o plano consiste em formar uma frente representativa para lojistas, fabricantes, importadores e todos os demais envolvidos responsáveis pela movimentação do mercado. A associação evidentemente contará com sócios interessados em regularizar a comercialização dos produtos, estes deverão contribuir com uma quantia mensal que será revertida no custeio de profissionais especializados que irão assessorar todo o grupo com as medidas jurídicas e administrativas corretas e viáveis para o bom andamento dos negócios.

Confesso que estou animado com o projeto, ele ainda engatinha, mas temos pressa e já marcamos várias reuniões para começar a executar o quanto antes, porém a base de uma associação é a união, portanto é imprescindível que as partes interessadas comprem a ideia e nos ajudem a ir em frente, conquistar a liberdade de poder trabalhar dentro de todas as leis, fumar e ser feliz.

Por: Sidney Gritti