A mistura do assunto arguileiro e Legislação é algo muito recente no nosso mundo de consumidor. Até porque, parece um absurdo para quem fuma arguile cogitar que o tabaco flavorizado deva ser proibido. E realmente é um absurdo, em todas as esferas possíveis e imagináveis. 
Mas antes de explicar melhor esse ponto, precisamos entender quais foram os ocorridos que resultaram nesse debate: – 17/05/2019: aprovação do SB-38 no estado da Califórnia, banindo a venda de tabacos flavorizados em todo o território estadual.¹

– PLS 769 proposta pelo Senador José Serra em 2015, propondo a proibição da importação de tabacos flavorizados pro Brasil (dentre outras alterações sobre a Lei tabagista de 1996).²

– Criação da ACIPA (Associação de Comerciantes e Importadores de Produtos para Arguile) aqui no Brasil, cuja função é defender os interesses do público tabagista narguileiro, lojistas, distribuidores e produtores de acessórios.³
Isso significa que sim, a futura proibição do arguile no Brasil é iminente. E sim, o mundo do arguile está unindo forças para conseguir ao menos um espaço de defesa e mostrar o outro lado da moeda. E você pode contribuir se informando a respeito dos assuntos que estão em debate e, para facilitar o acesso a essas informações, você pode acessar o site da ACIPA, realizar seu cadastro de pessoa física ou jurídica e receber atualizações e novidades em primeira mão.

Voltamos ao absurdo: proibição. 

É simplesmente a alternativa mais preguiçosa e conveniente de todas, e também a menos efetiva. Você pode ter como base, por exemplo, a Lei Seca nos EUA na década de 20 que proibia a venda e o consumo de bebidas alcóolicas. O resultado foi clandestinidade, aumento do crime organizado, produtos de baixa qualidade sem fiscalização governamental, aumento no consumo e consumidores se prejudicando pela ilegalidade. (A ironia começa aqui). 

Não parece o resultado de um governo que se preocupa com o bem-estar da população. E note: temos esse magnífico exemplo há quase um século, mas vamos ignorar esse ponto (risos). Vamos apelar para a questão de saúde pública, distorcendo um “estudo” (está em aspas por se tratar de uma nota consultiva, não um estudo). Quatro das maiores organizações de saúde do mundo, cuja referência mais atualizada da nota consultiva seja de 2005, muito antes da “epidemia” que o arguile tomou de proporção em outros países. 

E digo distorcer pois “quantidade” de fumaça é MUITO diferente de “toxicidade” da fumaça. Mas ninguém que lê uma publicação, folheto, cartaz ou campanha denegrindo o arguile vai achar uma referência dessa com facilidade na internet, então tudo bem falar mal (muitos risos). Sendo assim, vamos pensar pelo lado econômico: faz realmente muito sentido proibir um mercado em crescimento por simples falta de conhecimento científico em um país com crise financeira, quebrado pela corrupção e com mais de 14 milhões de desempregados. Realmente, o impacto seria nulo na economia e o governo não arrecadaria nada de impostos fazendo um trabalho adequado no processo de regularização (ainda mais risos).


Neste caso, vamos ao aspecto cultural: qual o problema de jogar uma tradição de mais de 400 anos no lixo, difundida pelo mundo inteiro e consumida por MILHÕES de pessoas em cada canto do planeta, mesmo que nosso país tenha mais de 10 milhões de libaneses e descendentes (número 3x maior que a própria população do Líbano). Afinal, qualquer Senador com uma caneta tem poder de tomar decisões por todas essas pessoas sem sequer ouvir o que elas têm a dizer. Ou quem sabe um pneumologista que vai em rede nacional criticar um artefato que ele sequer sabe usar, mencionando estudos que nunca foram apresentados e apenas repetindo um discurso já perpetuado há anos por mídias sensacionalistas que procuram qualquer furo jornalístico para atender seus interesses (eu não aguento mais rir). Porque a verdade é essa: o arguile é o principal malefício do século 21 e enquanto ele existir, toda a humanidade está ameaçada. Jovens que contraem vírus da meningite e possuem complicações respiratórias morreram por causa do arguile. Afinal, nunca ninguém tinha morrido de meningite antes e beijar na boca nunca transmitiu doenças antes. 

Se você conseguiu entender toda a ironia do texto acima, você consegue ver que o problema é muito mais ‘embaixo’ e não há nenhum argumento plausível e razoável para a proibição. Caso você não tenha entendido a ironia, me desculpe: falhei como comunicador e sou incapaz de desenhar melhor que isso.

Referencias bibliográficas:

https://leginfo.legislature.ca.gov/faces/billTextClient.xhtml?bill_id=201920200SB38
https://bit.ly/2PJ80oF
www.acipabrasil.com.br
https://bit.ly/1lMWuAW

Por: Eduardo Macário