O arguile no Brasil, mesmo indiretamente, vem se destacando como um importante setor da economia informal. De alguns anos para cá cresceu o público adepto, as vendas, as marcas e os eventos. Escorregando como um ‘bagre ensaboado’ no mercado de um país que vive uma das piores crises econômicas de sua história.

Grupos e empresas estão se organizando, munidos de estratégias e estudos modelados em países europeus e norte americanos. Mesmo que de forma imatura, a desenfreada evolução é facilmente notada. Um exemplo são os eventos voltados ao público, verdadeiras feiras livres e bem estruturadas direcionadas ao público carente, que encontra dificuldades em desfrutar de lugares específicos para praticar a cultura.

Ainda não há um controle ou ao menos algum órgão que faça o levantamento e passe informações sobre o número de eventos e a quantidade de frequentadores, o fato é que de uma forma bem desordenada a cada final de semana podem ser notados um ou mais encontros de diferentes portes acontecendo em alguma parte do país, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde se concentram as marcas e a maior incidência de descendentes árabes.

Mas afinal, até que ponto isso é vantajoso e satisfatório? Para o consumidor final talvez essas ‘festas’ até possam parecer algo muito legal, pois ali se tem acesso aos lançamentos, preços mais baixos e acesso mais facilitado a marcas diferentes, desde acessórios, chegando as dezenas diferentes tipos de tabacos que entram nesses eventos na intenção de uma divulgação massificada, se instalando no Brasil, o mercado emergente mundialmente conhecido no meio ‘arguileiro’.

Até o ponto em questão tudo parece se enquadrar perfeitamente para um ramo até então sem muita legalização. Esse é o ponto a ser analisado, com tanta visualização, ao ponto de vermos a invasão de marcas vindas de outros continentes, o meio se torna cada vez mais um alvo potencial dos órgãos responsáveis e reguladores, muitas vezes chegando a ser atacado em meios de comunicação midiáticos, que sofrem com a desinformação e o despreparo, taxando a cultura que cresce de maneira desenfreada sob a escuridão underground.

Há muito se fala na regulamentação, uma ordem com calendário, formada por um grupo que centralize e se responsabilize por tais eventos, pois além dos empecilhos jurídicos e a lenta burocracia, os custos para se expor alguns produtos são extremamente altos e de certa forma inviáveis. O que acaba por empobrecer um evento a troco de interesses financeiros por parte dos organizadores, que fazem essas reuniões de forma banal e descompromissada com o público, onde as prioridades poderiam ser justamente um lado a ser trabalhado, cedendo espaço aos produtos legais ou em processo de legalização, tornando assim tais marcas, movimentos unidos e fortes, munidos de ferramentas para o desenvolvimento e crescimento desse hobby que hoje vive em um mundo de incertezas.

Por: Sidney Gritti