A Hookah Brasil Experience gostaria de agradecer a todos que se esforçaram para que esta matéria pudesse ser viabilizada, começando pelo Sr. Hicham que fez toda a tradução, e ao José Luiz do Tio Bob que nos cedeu seu showroom, proporcionando um momento único em nossa história.

Shareef Mamoon, atual dono da marca Khalil MamoonTemos o orgulho de trazer para você leitor, uma entrevista com uma das pessoas mais importantes da cultura do arguile, o Sr. Shareef Mamoon atual dono da Khalil Mamoon no Cairo, Egito.

Seu avô chamado Mamoon iniciou a cultura e tradição da família no arguile. Em seguida seu pai, Khalil Mamoon, deu continuidade aos trabalhos de seu avô e tocou o negócio da família. Hoje contando com um quadro em torno de mil funcionários, a Khalil Mamoon é um a maior fabricante de arguiles do mundo.

HBE: Em nome de nossa equipe, gostaria de lhe agradecer por nos conceder esta entrevista. É a sua primeira visita ao Brasil?

Hicham representante Mazaya no Brasil e ShareefShareef Mamoon: Primeiramente gostaria de agradecer ao Hicham, toda a equipe da HBE e ao José Luiz por ceder seu espaço para que esta entrevista pudesse ser feita. Esta é minha primeira vez no Brasil e estou muito feliz, pois encontrei pessoas bacanas e por ter visto todos. Mas gosto muito do Khalil Mamoon Thank, que no Egito é chamado de Danna.

HBE: Quanto ao processo de criação de cada peça, o senhor mesmo cria os desenhos ou chegam prontos até suas mãos?

Shareef Mamoon: Não necessariamente. Eu e mais dois irmãos trabalhamos na área de criação de novos modelos, porém na Khalil Mamoon possuímos em torno de 200 pessoas pensando em algo novo todos os dias, às vezes eles viajam demais em algum modelo e fica inviável de fazer.

HBE: Existem modelos que  acabam ‘saindo de linha’ com o tempo, existe a possibilidade desses modelos voltarem ou não?

Shareef Mamoon: Não existe um arguile que tenha ‘saído de linha’, todos os nossos arguiles ainda existem, porém ninguém os solicita. Como estamos em um mundo de negócios, não compensaria eu fazer determinado aqui muito da cultura do arguile que é vivida no Egito. Não esperava encontrar isso no povo brasileiro, parece que nossa cultura está presente aqui há milhares de anos.

HBE: Quem iniciou a fabricação da marca Khalil Mamoon?

Shareef Mamoon: Meu avô, chamado Mamoon e quatro irmãos começaram a produzir os arguiles em 1873. Quando ele começou, assim como muitos países, o Egito não possuía energia elétrica e não dispunha de uma linha de produção, tornando o trabalho totalmente manual. Cinco pessoas conseguiam produzir um arguile por dia, um trabalho extremamente artesanal. Em 1923 meu pai Khalil Mamoon começou a fabricá-los. Com a família maior, podendo contar com cinquenta integrantes, a proporção aumentou, possibilitando a produção de quinze a vinte arguiles por dia. Em 1970 comecei a trabalhar com meu pai, hoje conseguimos produzir em torno de cinco mil arguiles por dia, pois após a chegada da eletricidade, veio a possibilidade de trabalhar com a agilidade que as máquinas proporcionam.

Allan da El Maktub Store e Sr. Shareef MamoonHBE: O primeiro modelo fabricado ainda existe?

Shareef Mamoon: Sim existe. Tenho alguns modelos e amostras, porém hoje é muito difícil de encontrar uma mão de obra que faça o trabalho manual que era feito antigamente, o que torna a produção comercialmente inviável. E também os jovens de hoje querem saber de novidades. Estou trabalhando com este foco, trazer novidades e formas diferenciadas. Os dias aqui no Brasil têm sido muito corridos, porém já tenho ideias de quatro a cinco modelos que quero fazer como uma homenagem ao Brasil. Um exemplo é fazer um arguile utilizando das formas do Cristo Redentor e tornando o arguile mais alto do mundo.

HBE: No Oriente Médio o trimetal é um dos arguiles mais tradicionais, ele ainda é um dos mais vendidos?

Shareef Mamoon: Sim, é um dos que mais vendem, porém, cada país tem sua preferência, um exemplo disso é que em locais com a temperatura mais elevada no Egito, a preferência é dada aos arguiles com Chiller.

HBE: Dentro dos quinhentos modelos de KM que existem, qual o seu preferido?

Shareef Mamoon: Bom, gosto de produto se o custo é muito alto, tornando-o inviável de produzir. No entanto, se houver uma boa demanda para ser produzido, iremos produzi-lo.

Loja Khalil Mamoon no Cairo

HBE: O mercado brasileiro tem bastante novidade, muito por influência norte-americana e alemã. Utilizam-se muito os produtos como as mangueiras laváveis, controladores de calor, diversos sabores de essências e de certa forma alterando um pouco da cultura, o que o senhor acha dessas mudanças?

Shareef Mamoon: Eu fico feliz em ver as pessoas inovando no mercado do arguile, isso reflete minha família, voltando na origem e remetendo ao meu avô, meu pai e a mim.

HBE: Tem alguma coisa que o senhor viu no Brasil, relacionado ao arguile, que não aceite ou não passe uma imagem positiva da cultura?

Shareef Mamoon: Não, de certa forma fico chateado apenas com as cópias que circulam pelo mundo. No Brasil não vi nada que me desagradasse e fico feliz por ver que as pessoas reinventam a cultura de uma forma muito bonita. O que veio depois da Khalil Mamoon é como um filho, pois sua essência e sua cultura estão em cada peça produzida.

HBE: Aqui no Brasil utilizamos muito o arguile para socializar, reunimos família, amigos e até mesmo fazer novas amizades, gostaríamos de saber se no Egito ele é utilizado da mesma maneira?

Shareef Mamoon: Sim, meu pai costumava juntar a família, chamava amigos para conversar e fumar, eu também faço isso, chamo meus amigos também para darem opinião em modelos novos, sentamos fumamos e começam a vir às opiniões, se precisa ser mais alto ou baixo, mais pesado ou mais leve etc… E isso me deixou muito contente, pois pude ver que por aqui isso vem sendo seguido e mantido como uma grande tradição, pude ver muitos amigos sentados fumando e se divertindo.

HBE: Gostaríamos de saber o que mais lhe chamou atenção da cultura brasileira que é totalmente diferente do Egito?

Shareef Mamoon: Quando eu viajo, observo a cultura e costumes de cada país, é claro que cada país vai ter suas diferenças e senti que aqui existem diversas coisas muito próximas ao do meu povo e o que eu mais gostei foi a recepção do povo brasileiro, sempre sorridente e carinhoso.

Loja Khalil Mamoon no Cairo

HBE: Você imaginava que seria tão querido pelo brasileiro?

Shareef Mamoon: Quando cheguei ao Brasil, já me senti em casa. Mas isso foi algo que me surpreendeu sim, já tirei fotos e dei autógrafos para pessoas em outros países, porém aqui eu não esperava que seria da forma como foi, muito mais do que em outros lugares que já fui. Fico triste por não conseguir me comunicar muito bem com vocês devido a diferença do idioma.

HBE: O que nós brasileiros podemos esperar de novidades para os próximos anos da Khalil Mamoon no Brasil?

Shareef Mamoon: Já tinha conhecimento da que existência do mercado brasileiro de arguile, porém não sabia como era hoje já sei, pois vi com meus próprios olhos. Tenho um projeto de que o Khalil Mamoon tem que estar na mão de todo mundo, facilitar a compra e dar opções que possam passar na frente dos arguiles chineses, seja com modelos ou importação com mais facilidade.

HBE: Qual a posição do Brasil no mercado de arguile?

Shareef Mamoon: O primeiro lugar no ‘ranking’ é o mundo árabe, Arábia Saudita, Kuait, Emirados Árabes, Qatar etc… O segundo lugar é o Estados Unidos, o terceiro lugar fica com a Rússia. Vejo uma potência muito grande com o mercado brasileiro, no entanto 60% do que existe no Brasil vinha e veio por intermédio do mercado norte-americano, com meu planejamento de facilitar o acesso do Khalil Mamoon no mercado isso irá mudar e pode até se tornar um dos primeiros.