Welton de Souza Neves, 31 anos, nasceu em Ribeirão Pires onde vive até hoje com sua filha e família, é apaixonado pela cidade. Welton veio de uma família grande com 23 tios, seus pais tiveram uma vida humilde no interior de Minas Gerais. Se casou aos 19 anos com sua ex-vizinha, permaneceram juntos por 4 anos  e desse relacionamento nasceu sua filha, hoje com 10 anos.

Este é o “Spider” com quem a Hookah Brasil Experience teve o prazer de conversar.

spider-criancaHBE: Quais foram seus empregos antes de chegar ao ramo de arguile?

Spider: Meu primeiro emprego foi na Usiminas como soldador, mas não me adaptei e voltei para Ribeirão Pires onde comecei a trabalhar com instalação de vidros automotivos. Depois fui trabalhar na Eletropaulo, comecei como eletricista de uma empresa contratada subia em poste e cortava a energia dos não pagantes na região de Diadema, era só treta (risos). Trabalhava com carro próprio e quando me roubaram o carro, me colocaram na área interna da empresa, onde cheguei a coordenar mais de 120 equipes na época.

HBE: Como foi essa saída de um trabalho considerado “normal” para a chegada no mundo do Arguile ?

Spider: Em 2011 eu estava cansado de tudo na Eletropaulo, o diretor me pegou em um dia errado, eu joguei tudo pra cima, notebook, celular e saí andando. Só voltei depois de 3 semanas e pedi demissão, já tinha 11 anos de empresa. Em 2012 eu entrei na Thunder com o Chanes (Diego Chanes) onde fiquei até dezembro do mesmo ano, juntos fomos atrás da mangueira maleável, que foi quando saiu daquela mangueira de tanquinho de lavar roupa. Nessa época, eu ajudava o Chanes a fazer as mangueiras uma por uma, era um sacrifício, a Renata (esposa do Chanes) queria morrer e hoje, a Thunder virou uma empresa, é bem legal você saber que participou disso. Em março de 2013 o José Luiz (dono do TioBob) me chamou para trabalhar com ele, até hoje a galera pensa que eu sou sócio do Tio Bob (risos),  pensam que eu trabalho há muito tempo  lá e na verdade, faz só 1 ano e meio. Hoje sou consultor de vendas, para os clientes que compram no atacado, estou diretamente associado à imagem do Tiobob, sempre estou em eventos representando a marca, quando sai algum produto novo eu vou atrás pra trazer pro Luiz pra tentar fechar alguma parceria.

IMG-20140823-WA0022HBE: Sabemos que você pratica alguns esportes e um deles é o tênis. Com quantos anos começou a jogar?

Spider: Comecei a jogar com 26 anos, foi quando voltei a treinar firme. Em 2007 estava super bem, disputando campeonatos amadores aqui em SP, aí sofri acidente de moto, quebrei meu tornozelo e fiquei 6 meses sem andar. Em novembro do ano passado resolvi voltar a jogar, mesmo com 140 kilos, foi algo que me incentivou a emagrecer.

HBE: Além de praticar esportes, você fez uma reeducação alimentar e eliminou 30 kg. Como manter essa reeducação com as viagens que costuma fazer, onde geralmente se come muito errado?

Spider: Bom… dieta é opinião, se você não tiver opinião você não faz. Viajando são só restaurantes bons, mas também tem tranqueiras, é complicado sair para comer. Tento ficar na saladinha e bastante água. Diminui bastante a bebida alcoólica, parei com refrigerante há 8 meses e espero não tomar mais, eu tomava 5 litros por dia no mínimo, aqui na loja comprava de fardo, o tereré me ajudou muito para parar de tomar refrigerante. Eu fiz a reeducação com acompanhamento de um nutricionista, fiz acupuntura, tem todo um “staff” por trás para ajudar (risos), no começo foi sofrido.

HBE: De onde veio o apelido “Spider”?

Spider: Quando terminei meu casamento, eu não tinha e-mail, só tinha o da empresa. No dia que iria criar os e-mails pessoais, fui trabalhar com uma camiseta do homem aranha, porque sempre gostei, nisso  na empresa começaram a me chamar de Spider. Quando estava criando o Orkut, pensei “vou colocar Welton Spider Neves”, com isso, os e-mails ficaram todos “spider neves”. Quando fui passar o meu email para o Rapha (Raphael Barreiros), ele olhou o email e falou “vou te chamar de Spider”. Aí por conta das reviews fortaleceu o apelido e ficou Spider. Hoje quase ninguém me conhece por Welton de Souza Neves.

HBE: Você imaginava que teria essa fama toda?

Spider: Sempre procuro fazer o melhor em tudo que eu faço, independente do que seja. Se você for um lixeiro, tenha seu diferencial, faça o melhor que puder, mas confesso que nunca imaginei que seria como é hoje. Um dia estava lá em Pedro Juan Caballero (PY) entrou um rapaz na loja falando que via meus vídeos. Outro dia, um rapaz que trabalha com meu irmão estava falando de Arguile e meu irmão comentou “Ah, meu irmão trabalha no Tiobob”  e o cara logo falou “ Porra tio… sé loko, seu irmão trampa no Tiobob!”, ele continuou “Meu irmão é o Spider“, e o cara respondeu “Para, você tá me zuando que seu irmão é o Spider?”. No outro dia, ele foi falar pro meu irmão que todo mundo tava tirando sarro da cara dele na vila porque ele falou que trabalhava com o irmão do Spider. Fui lá, levei uns adesivos pra ele, fui conhecê-lo pessoalmente tirar foto com ele.

HBE: Qual o lado bom e o lado ruim da fama?

Spider: O lado bom é o carinho, o respeito que a galera tem por você, você se sente útil sabendo que seu trabalho está sendo bem feito. Agora o lado ruim para mim (pausa) não vejo. Às vezes a namorada acha que você tem muita amiga (risos).

HBE: Porque nunca deixou com que a fama subisse à cabeça?

Spider: Minha família sempre foi bem humilde, muito simples, então não tem o porquê subir à cabeça. Hoje minha vida é bem diferente de 2 anos atrás e nem por isso fico ostentando, eu tenho que mostrar apenas para mim, não tenho que ficar mostrando para os outros, e a humildade você nasce com ela, não aprende com o tempo. Vemos tanta gente nesse meio que se acha Deus, não tem tempo pra dar um oi pra pessoa, tirar uma foto com a pessoa que vem te procurar…

HBE: Como você começou no Arguile?

Spider: Fumo há 14 anos. Um amigo meu, o Leonardo, tinha um Arguile, experimentei e gostei, então ganhei um Arguile Sírio que tenho até hoje, todo de madeira. Eles não eram uma família de origem árabe, mas o pai do Leonardo viajava muito pelo mundo e conheceu o Arguile em uma dessas viagens. Eles foram os responsáveis por eu ter entrado nesse mundo.

HBE: Quando começou a se encontrar e conhecer o pessoal do Arguile?

Spider: Antigamente não tinha nada disso (encontros e eventos), esse “boom” aconteceu agora. Em 2008 eu conheci o site do tiobob e comprava algumas coisas lá, rosh com duas cabeças…  esse tipo de coisa (risos) e comecei a vir na loja do Tiobob. Nas pesquisas achei o Blog do Arguile, conheci o Rapha (Raphael Barreiros) e começamos a fumar juntos, com isso comecei a entrar no mundo do Arguile, isso em 2009. Depois conheci o Luiz (José Luiz) que era patrocinador do blog. Com a minha transferência para a Eletropaulo da Vila Prudente (SP), vinha na hora do almoço até o Tiobob fumar, e assim, acabei estreitando a amizade com o Luiz.

HBE: E sua filha entende as viagens que você faz a trabalho?

Spider: Minha filha sempre quer ir, mas nem sempre pode, quando posso, ela está comigo, e como moramos com minha mãe, praticamente minha mãe faz tudo, ela é mais minha irmã do que filha. Sempre quando vou viajar tem que trazer um presente, se não trouxer o bicho pega.(risos)

HBE: Todo herói tem seu ponto fraco, qual o seu?

Spider: Meu ponto fraco… são as pessoas que eu gosto terem alguma dificuldade, doença… As pessoas que eu amo não estarem bem, isso transcende para a gente e me deixa muito chateado.

HBE: O que você acha do Arguile no Brasil?

Spider: Hoje o Arguile no Brasil é puro comércio, veio um crescimento absurdo nesses 4 anos, não a cultura, porque a cultura não cresceu, cresceu o número de usuários, a informação, mas a cultura continua estagnada, de cultura nós não temos nada no ramo. Cresceu tanto em produtos que o mercado nacional está fazendo de tudo, até essências, o crescimento foi realmente enorme.

HBE: Porque esse “boom” tão grande? Seria porque todos acham que ficarão ricos com o comércio do Arguile?

Spider: Eu acho que é um combinado entre a facilidade, a procura e a demanda. Agora em relação a ficar rico, ninguém faz nada somente por prazer, todos fazem pensando em lucro. A galera fala: “Eu faço por amor!”, mas ninguém faz somente por amor, isto falando de fabricante e lojistas. O mercado aqui dentro é muito desleal, todo mundo copia, não estou falando de copiar produtos estrangeiros, apesar de que poderia fazer uma ideia diferente, mas até então ele fez para se tornar mais acessível, eu não vejo muito problema, agora copiar os nacionais pra querer atropelar ou vender mais barato. Torna um mercado bem bagunçado. Tem muita molecada, o nosso mercado é muito prostituído, cada hora um vem com o preço menor para tentar derrubar o outro.