Nesta edição trouxemos a entrevista com três pais de narguileiros, que responderam dúvidas sobre antes e o depois de terem seus filhos trabalhando no mercado de arguile.

Quem acompanha nossa live ás terças já viram eles online: Lineu Ramos – o ‘Lineusão’, Manoel Gomes – o ‘Mané’ e o Marcelo Almeida – o ‘Pai Ganesha’.

HBE: Por favor, se apresente.

Manoel Gomes (Mané), pai do Guilherme.

Lineu “antes eu era Lineu, até a chegada da maioridade do Lineu Junior, hoje sou Lineusão,  para não haver confusão (principalmente nas ligações de cobrança) rsrs”.

Meu nome é Marcelo Almeida, sou pai dos meninos da Tabacaria Ganesha (Kauan e Caio), sou fumante de arguile há dois anos.

HBE: Como conheceu o arguile? Tinha preconceito?

Mané: Já conhecia o arguile, via em filmes e também comecei a ver onde dava aula a garotada se divertindo com ele na calçada próximo da escola.

No começo discriminava quem usava, via muitos alunos meus usando nas ruas próximas de onde lecionava, aí o Guilherme começou a usar também. Com o passar do tempo comecei a mudar a forma de pensar sobre o arguile, isso porque a roda de amigos dele frequentavam minha casa e também na chácara, em churrascos, pizzas e via que não era nada do que pensava, sem contar que também dei uma fumada, mas “puxava a bomba” e não vinha nada de fumaça ‘risos’.

Eu achava que no meio das essências colocavam alguma coisa alucinógena, mas como os amigos eram todos conhecidos e também seus pais, comecei a relaxar e mais ainda comecei a perceber que não era só o prazer em fumar arguile, e sim toda a forma de seu preparo, as bases, os queimadores, mangueira etc.

Tudo tem um significado e passa a ser uma arte fumar o arguile, mas com muita responsabilidade.

Lineusão: Não sei precisar quando, uns 10 anos atrás. Foi em alguns bares que me chamou atenção, pois, só jovens curtiam ‘esse barato’ e por não conhecer/entender muito da matéria, fiquei curioso, primeiro pelo volume de fumaça e depois pela quantidade de bebidas alcoólicas que eles consumiam (e a dúvida do que deixava eles ligadões,) à época eu bebia uns gorós só do forte e fumava só cigarros ‘risos’. Confesso que não gostei muito da novidade, até porque só via isso nos botecos e com jovens muito doidos.

Marcelo: Conheci o arguile através dos meus filhos (Kauan e Caio), mais ou menos em 2010 quando eles me pediram pra comprar um para eles. Inicialmente neguei, mas eles me disseram que usariam as essências sem tabaco, que não fazia tão mal. Depois de um tempo acabei comprando, mas só deixava usarem com essas essências que eles tinham dito que iriam usar.

HBE: Já experimentou? O que achou? É/era fumante de cigarro/arguile/tabaco?

Mané: Experimentei o arguile junto com os colegas do Guilherme, achei muito gostoso, mas como disse puxo pra caramba a “bomba” e não vem nada de fumaça,  ‘risos’. Não sou fumante de cigarro nem de arguile.

Lineusão: Experimentei depois que o Lineu Junior fez uma sessão em casa (depois de muito tempo que ele já curtia), porque já não fumava mais, coisa que ele já cobrava de mim há muito tempo. Então demorou a contar que era um ‘Narguileiro’. No início não gostei muito, pois, se tratava de um vício meio parente de fumar cigarro, numa analogia nua e crua eu diria um primo de segundo grau, e como tal sei que vicia e contém nicotina em menor grau que nos cigarros… talvez.

Mas acho legal todo ritual, toda a história por trás desta tradição e as condições e locais exclusivos para consumo, não deixando que esta curtição vire uma banalidade ou um vício qualquer.

Marcelo: Inicialmente não gostava muito, pois tinha acabado de parar de fumar cigarro. Hoje fumo com eles e sou um adepto do arguile.

HBE: O que acha ou sabe sobre os malefícios do tabagismo, uso do arguile?

Mané: O que se sabe sobre os malefícios do arguile é o que se escuta na mídia. Sei que pode fazer mal, mas acredito que seja menos agressivo que o cigarro, justamente por ser “mais puro” sem muita química, pois o cigarro tem 3.900 tipos de química, vemos também muitos fumantes adoecer e perder a vida devido o cigarro, já o arguile vemos alguns noticiários em mídias.

O que me preocupa no uso indiscriminado do arguile é o carvão, aí sim deve-se ter prudência.

Lineusão: Bem, o meu achar pode não significar muito mais eu acho assim mesmo rsrs, qualquer coisa que colocamos para dentro do nosso corpo/organismo que não seja alimento (e muitos também fazem algum mal), pode ser prejudicial, ainda mais fumaça proveniente de uma traquitana chamada arguile, produzida através de vapor e fumo com essência. Quantos e quais malefícios, fico satisfeito com as informações obtidas através da revista HBE e a Live, das quais sou assíduo leitor e participante respectivamente.

Marcelo: Todos os atos tabagistas são maléficos à saúde, isso é indiscutível. Mas em relação ao tabaco flavorizado que é utilizado no arguile, tem muito pouco estudo imparcial sobre o assunto, principalmente no Brasil, o que abre uma brecha para que digam o que quiserem sobre o assunto (1 sessão de arguile equivale a 100 cigarros, por exemplo).

HBE: O que acha do conceito do arguile?

Mané: Acho que o arguile de fato une as pessoas, não é só fumar, e sim a troca de ideias, as piadas a alegria e também os negócios de se fecham nesta roda, gera empregos.

Lineusão: O ritual é muito interessante, envolve tradição e paciência e isso tudo me parece dar o maior prazer ao narguileiro. Quanto ao fator união de pessoas acho mais interessante ainda, pois tem um quê de partilhar tudo, conhecimento, sabores e com certeza altos papos.

Marcelo: Esse é para mim, o principal intuito do arguile. Essa confraternização de pessoas, as rodas de conversas formadas, onde se fala de todos os assuntos, isso realmente é muito legal.

HBE: Como vê o seu filho como empresário/funcionário nesse mercado?

Mané: Acho muito bom, devido ao fato de perceber que o arguile começa a ser aceito cada vez mais no mercado, pois deixou de ser um bicho papão e sim um gerador de emprego muito promissor aqui no Brasil.

Lineusão: No início não achei muito legal, porque achava que ele ia sair do emprego e se arriscar nessa empreitada, mas foi um trabalho paralelo que não proporciona ganho financeiro e sim prazer pra ele e muito conhecimento do assunto e envolvimento com muitas pessoas legais da área e de outro setores.

Marcelo: Bom meus filhos largaram um emprego de 4 anos em um cartório, onde eram escrevente e infelizes fazendo aquilo, pra abrir inicialmente uma lojinha de arguile. Hoje depois de quase 5 anos com a Ganesha, vejo o crescimento pessoal e profissional deles e fico muito feliz com isso.

HBE: O que mudou depois que seu filho começou a trabalhar com arguile? Como vê o trabalho dele, apoia, ajuda?

Mané: O Guilherme sempre foi um jovem muito envolvido com que propõe a fazer. É também sua alegria, ideias, enfim o desenvolvimento pessoal dele foi muito grande, já era extrovertido e ficou mais ainda.

Lineusão: Sinto que ele está realizado de alguma forma, continua não tendo ganho financeiro, mas a HBE vem num crescendo em relação ao início. A base da revista era na casa do ‘Véio’ em reuniões semanais, depois em uma sala modesta na Chácara Mafalda e hoje numa sala Top na Vila Carrão, com Lives semanais e tals. Não só apoio como faço questão de incentivar e ajudar no que preciso for… menos financeiramente ‘risos’.

Marcelo: Os dois hoje trabalham com o que gostam, o que torna o trabalho muito mais prazeroso e leve. Hoje procuro saber das coisas que existem no mercado, e sempre ajudo e apoio com o que posso.

HBE: Quais eram ou são suas maiores dúvidas sobre o arguile e/ou sobre seus malefícios?

Mané: No começo ficava com o pé atrás, meio com a pulga atrás da orelha ‘risos’, mas hoje estou mais tranquilo e vejo que ele está feliz com o que faz, é isso é bom, gera saúde e alegria quando fazemos o que gostamos.

Na verdade a preocupação eram em relação às drogas que supostamente poderiam colocar com a essência, mas caíram por terra pois o que manda isso são os envolvidos na roda de arguile, quando se tem jovem de boa família e também conhecem onde as drogas levam, já de cara excluem essa possibilidade.

Lineusão: Prefiro não pensar nisso, prós e contras existem em tudo que fazemos é uma opinião e decisão de cada um.

Marcelo: Acredito que qualquer pai fica preocupado quando não se tem conhecimento nenhum, vê algo dizendo que aquele negócio que seus filhos estão fumando equivale a 100 cigarros. Todos nós sabemos os malefícios que o cigarro causa, isso realmente é preocupante. Mas com tempo procurando entender melhor, a gente acaba vendo que não é bem assim…

HBE: Considera um trabalho, apoia ou acha tudo isso só perda de tempo?

Mané: Às vezes fico em dúvida sobre a efetivação desse mercado, percebo que é limitado, talvez devido a discriminação que se tem, mas também percebo que existe aí um mercado promissor, sendo que é uma questão de tempo para que isso aconteça através de divulgação. Eles estão no caminho certo.

Apoio o Guilherme, acho que tudo que tentamos na vida vem somar conhecimento, é nunca esvaziar nosso banco de dados cerebral, e com certeza perda de tempo não é.

Lineusão: Trabalho acho que é sim, mas como diz o velho ditado “Nem relógio trabalha de graça” e “Nem só de poesia vive o homem” acho que é assim.

Marcelo: Com certeza, é um trabalho como de qualquer outro ramo de atividade. Por mais que o mercado ainda seja meio informal e falte bastante profissionalismo em alguns aspectos, acredito que tem um futuro bem próspero para quem se empenha e trabalha com seriedade. De forma alguma isso é uma perda de tempo, muito pelo contrário, vejo profissionais sérios no mercado.

HBE: Qual a dica/conselho para os pais que veem seus filhos fumando e recriminam ou proíbem o uso?

Mané: Eles devem é continuar com as lives, mas acho que não é só o arguile, devem agregar mais acessórios, como camisetas, shorts, brincos, relógios, etc., é um bom mercado de trabalho.

Tudo fica melhor com uma boa conversa com os filhos, suas companhias, onde frequentam, com quem usam o arguile, tudo é uma questão de se organizar e conversar.

Junto com bons amigos, tudo fica prazeroso, fumar arguile, beber uma boa cerveja, ir a um bom restaurante, ir a feira comer pastel, fazer compras etc., tudo é muito bom quando se faz com prudência e atenção.

Lineusão: Sou suspeito para falar sobre, mas acho que recriminar não pode se confundir com proibir, pois também fizemos com certeza muitas coisas que nossos pais não gostavam e nem aprovavam, algumas nos convenceram não fazer e outras não. A dica é diálogo e convencimento em qualquer assunto.

Marcelo: Esse assunto é bem pessoal de cada pai, e quem sou eu para dar opinião na criação de um filho. Mas acredito que antes de tomar uma atitude drástica como a proibição, por exemplo, procure conhecer, se informar, conversar com pessoas, pois se você for se basear nas informações prostituídas que a mídia nos dá, obviamente o caminho é esse mesmo, de discriminação e consequentemente a proibição.

Esperamos ter passado um pouco da ideia de como tudo rolou em nossas vidas até chegarmos nos dias de hoje. Das barreiras e ideias iniciais, de como “enfrentamos” os dilemas/barreiras que estão dentro de todas as casas dos narguileiros.

A ideia é mostrar que não estão sozinhos nessa, e que nossos pais estão do nosso lado, querendo o nosso bem, porém, cabe a você, caro fumetinha, fazer tudo da forma mais correta possível, sem estragar a relação com os(a) ‘chefes’ e terem a melhor convivência sempre. Respeitem para serem respeitados.

Por: Redação HBE